Os recém-nascidos prematuros costumam ter maiores dificuldades de adaptação ao mundo e inspiram mais cuidados que os bebês a termo, ou seja, nascidos de nove meses de gestação.
Normalmente choram mais e têm maior irritabilidade, sintomas esses que desaparecem geralmente por volta do 4º mês de idade.
Além dos cuidados médicos e atendimento hospitalar adequados, a estimulação desses bebês, juntamente com a nutrição é fundamental para garantir a qualidade de vida do bebê de alto risco.
Além do que, a criança estimulada apresenta sinais de melhor desenvolvimento que as outras, como maior força de sucção e de apreensão palmar, índices precursores do estado de inteligência.
Vários estudos comprovam que prematuros submetidos a estímulos táteis, auditivos e visuais recuperam o peso mais rapidamente que os bebês que não recebem estimulação.
Eva Reich *, principal divulgadora da massagem para bebê “O Toque da Borboleta”, nos contou ** que no trabalho desenvolvido com prematuros nos Estados Unidos, as mães quando dava à luz, ainda no hospital, eram ensinadas a massagear suavemente seus bebês.
Assim que tinham condições, iam até o berçário olhar e massagear seus filhos prematuros. Os bebês estimulados, além de ganharem peso mais rapidamente e terem se desenvolvido melhor, nenhum apresentou problemas respiratórios, comuns em prematuros.
Sabemos que nem sempre essas práticas são estimuladas nos hospitais, alegando-se problemas de contaminação.
Felizmente, em certos hospitais, aqui no Brasil, alguns da rede pública têm realizado interessante trabalho por parte da equipe médica e de enfermagem com as mães para que fiquem ao lado de sua criança, mantendo assim o afeto e a relação. Tem-se enfocado a participação do pai nesse trabalho, através do enfoque no olhar, fazendo com que fortaleça o vínculo paterno com a criança além de reforçar o vínculo com a mãe.
Alguns hospitais adotaram para os prematuros o projeto “Mãe Canguru”, que consiste em fazer com que o bebê fique em contato direto com a pele da mãe ou do pai sentindo diretamente sua pele. O objetivo principal do método, além da humanização, é o estímulo do vínculo bebê/pais, sobretudo a mãe.
Esse método nasceu em Bogotá- Colombia, em 1979, por iniciativa do médico Edgar Sanabria, porque havia escassez de incubadoras, onde trabalhava. Tão logo o quadro clínico dos recém-nascidos permitia, os bebês eram tirados da incubadora e amarrados ao corpo de sua mãe. Daí a expressão “mãe canguru”. Dr. Sanabria percebeu que no contato corporal com suas mães, os prematuros desenvolviam melhor e mais rápido. Vários locais do mundo tendem a adotar esse método para seus prematuros, inclusive o Brasil.
* EVA REICH, filha de Wilhelm Reich, é médica e educadora de parto natural, terapeuta na linha da Bioenergética Suave.
** Curso dado em São Paulo, em 1980, sobre psicoprofilaxia do parto